Cultura x Cultura do Evangelho

No último mês tenho ouvido muito sobre esse tema. Como a igreja deve interagir com a cultura "do mundo"? Qual o limite de interação da igreja com a cultura secular? Como a igreja toma proveito da linguagem secular para fazer missão? Confesso que são perguntas com respostas complexas e que minhas respostas ainda não são muito conclusivas de alguma forma, principalmente quando estou colocando um olhar de marketing e comunicação nesses temas. O marketing apresenta à igreja a possibilidade de usar ferramentas e estratégias de um ambiente corporativo e secularizado para a missão. Mas qual a medida?


Tenho quebrado a cabeça para desenvolver um pensamento que me deixe confortável para dizer qual o balizamento exato para que ações de comunicação e marketing cristãos façam sentido na sociedade e, principalmente, com qual conteúdo é possível ser eficaz nesse processo. As igrejas, de modo geral, se fecharam em seus muros, criaram uma linguagem quase inacessível e uma postura de confronto com o ambiente secular que dificultam, de certo, modo a conexão entre os "dois mundos". Por conta dessa dificuldade de diálogo, as igrejas tem entendido na atuação de impacto um caminho de conversa. Outras, tem ido no caminho mais perigoso e mais difícil que é o de alinhar suas estéticas ao que acontece no ambiente secular e vão criando as igrejas mais modernas e igrejas de nicho. Porque é perigoso? Basicamente porque o diálogo da estética não é necessariamente importante para se conquistar vidas. Conteúdo sim.


Lendo o livro "O Evangelho", escrito por Ray Ortilund, me dei conta de que discutir a estética é uma grande besteira. Criar igrejas contextualizados com os dias de hoje não tem nada a ver com escolhermos um repertório de músicas mais alinhadas com os hits do momentos, termos pastores tatuados ou criarmos eventos ao melhor estilo "quase Rock in Rio". Isso é legal, ajuda, mas o conteúdo precisa ser o centro. O Evangelho precisa ser redescoberto e articulado a cada nova geração, mas ele não negocia com a cultura, ele não se adequa ao gosto do freguês. Segundo Ortilund, "nada se ganha com a mera reorganização da igreja em formas mais atraentes para os de fora" se o Evangelho não for a bandeira de mediação. Em qual medida, esse conjunto de sinais estéticos não nos deviam do foco e se apresentam como deuses para "salvar" a igreja no mundo pós-moderno?


Em termos práticos, a estratégia do ser "meio crente" ou "meio do mundo" como forma de missão precisa ir para o banco do analista e ser checada quanto a sua efetividade em formar, de fato, seguidores de Jesus. No final das contas, fazer uma estratégia de comunicação ou marketing para sua igreja precisa, necessariamente, partir do princípio que é a cultura do Evangelho e suas doutrinas que precisa invadir o ambiente secular e não o contrário. Não há negociação neste princípio.


Pra pensar. Também estou pensando muito sobre tudo isso e pedindo a Deus sabedoria para que eu, a ChurchCOM e você, ai do outro lado, sejamos usados para formar seguidores de Jesus.



Photo by James Barr on Unsplash


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