Desconexão - um perigo para as igrejas

Atualizado: Jun 29

Estou em Portugal há 15 dias e, entre andanças e visitas a monumentos históricos, tenho observado e conversado com pessoas a respeito do atual estado da Igreja Católica por aqui. Tem me impressionado fazer turismo por aqui, onde boa parte dos elementos visitados são igrejas ou conventos, e notar que todo o legado edificado pela igreja tem pouco uso ou, em muitas vezes, quase nenhum uso prático. Igrejas suntuosas dedicadas apenas a visitação turística, conventos e mosteiros tornados museus, capelas fechadas, hospitais abandonados e, por aí, vai. Onde estão as pessoas?


"Muitas igrejas tem deixado de funcionar por falta de fiéis. Algumas, inclusive aos domingos tem suas portas fechadas", comentou comigo Timóteo Cavaco, ex-integrante de Sociedade Bíblica de Portugal. Em outra conversa, um amigo me disse que as pessoas enchem a boca para afirmar que não tem religião alguma.


É besteira dizer que a igreja católica está morrendo ou coisa assim, afinal ainda dentro de seus trabalhos há igrejas em crescimento como na África, uma gigantesca rede de ensino, uma fenomenal gama de hospitais pelo mundo e muito trabalho missionário e assistencial. Mas há problemas de desconexão e efetividade no contato com os fiéis, reconhecidos pelo próprio Papa Francisco em entrevista para a Reuters. "Hoje, precisamos de uma Igreja capaz de andar ao lado das pessoas, de fazer mais do que simplesmente ouvi-las", disse.


Mais preocupante foi ainda ler um estudo promovido pela European Social Survey (em 2014 e 2016) que aponta o quadro de penetração das religiões entre os jovens por aqui, na Europa. Na República Checa, 91% dos jovens entre 16 e 30 anos se dizem sem religião. Veja o quadro abaixo.



 

No Brasil, vivemos outra realidade. A igreja católica ainda é muito forte e a igreja protestante cresce em bom número. Os cristãos no país são mais de 84%, sendo 22% de protestantes, segundo o CENSU do IBGE. Mas onde quero chegar?


Volto na fala do Papa Francisco. Precisamos a todo o tempo pensar se temos construído igrejas que, mais do que ouvir as pessoas, estejam dispostas a caminhar com seus fiéis! Precisamos olhar se as igrejas tem se colocado em uma posição de relevância educacional, de cuidado emocional, assistencial e intelectual na vida de suas comunidades. Isso vai muito além de serem grandes bancas de transações de benções, milagres e etc...


A graça de Jesus nos apresenta a conexão como um ponto central entre a fé e as pessoas, entre a igreja e seus membros, entre os líderes e discípulos. A graça nos iguala. A graça nos convoca a uma conexão direta com o Eterno e a igreja/religião/instituição não é necessária neste relacionamento entre o indivíduo e Deus! Mas a igreja pode ser relevante nesta relação quando ela se posiciona no lugar de parceria das pessoas em sua jornada de santificação, quando oferece apoio e cuidado, quando ora, quando ensina e apresenta as escrituras de forma correta, quando celebra ou quando chora a dor de seus membros!


O que me parece é que a igreja católica aqui perdeu conexão com as pessoas. Mais do que na linguagem, no relacionamento. Deixou de ser relacional, deixou de refletir a pessoa de Jesus em sua prática ordinária, trivial, no dia-a-dia. Se isolou em seu "confessionário".


Minha oração é para que nossas igrejas e comunidades mantenham o foco e a conexão com as pessoas! Afinal, nossa missão é apresentar Jesus até que ele venha! E isso não acontece sem uma boa conversa.

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